- Fundo de investimento (OICVM)
- Um fundo de investimento junta o dinheiro de vários investidores e aplica-o numa carteira de ativos gerida por profissionais. Os OICVM são fundos harmonizados na UE, sujeitos a regras de proteção do investidor. Pode ser de ações, obrigações, misto ou imobiliário, e cobra comissões que reduzem o rendimento.
- Dividendos
- Dividendos são a parte dos lucros que uma empresa distribui aos seus acionistas, geralmente em dinheiro. Em Portugal são tributados a uma taxa de 28% (retida na fonte ou por englobamento). Dividendos de ações estrangeiras podem sofrer retenção também no país de origem, recuperável em parte através de convenções fiscais.
- Ação
- Uma ação é uma fração do capital de uma empresa: comprá-la torna-o sócio, com direito a parte dos lucros (dividendos) e à valorização (ou desvalorização) do preço. As ações têm maior potencial de retorno a longo prazo do que os depósitos, mas também maior volatilidade e risco de perda.
- Obrigação
- Uma obrigação é um título de dívida: ao comprá-la empresta dinheiro a um Estado ou empresa, que se compromete a pagar juros periódicos e devolver o capital no vencimento. É geralmente menos arriscada do que as ações, mas o seu valor de mercado varia com as taxas de juro e existe risco de incumprimento do emitente.
- Certificados do Tesouro
- Os Certificados do Tesouro são dívida pública de retalho do Estado português, de capital garantido, pensados para poupança de médio prazo. Pagam juros segundo as condições da série em comercialização e têm um prazo definido. A Série 5, anunciada em julho de 2026, tem maturidade de 10 anos, taxa fixa crescente de 2,35% no 1.º ano até 3,35% no 10.º ano (média de 2,71% ao ano), subscrição mínima de 1000 € e não paga prémio de permanência. Como os Certificados de Aforro, são de baixo risco e não cobram comissões de subscrição.
- Juro composto
- Juro composto é ganhar juros sobre os juros já acumulados: o rendimento de cada período passa a render também no período seguinte, fazendo o capital crescer de forma exponencial ao longo do tempo. É o motor da poupança de longo prazo — quanto mais cedo começar, maior o efeito. Simular juros compostos →
- Inflação
- Inflação é a subida geral dos preços ao longo do tempo, que reduz o poder de compra do dinheiro: o que hoje custa 100 € custará mais no futuro. Uma poupança que rende menos do que a inflação perde valor real. Por isso o rendimento que importa é o rendimento real — o nominal menos a inflação.
- Diversificação
- Diversificar é repartir o investimento por vários ativos, setores e geografias para que o mau desempenho de um seja compensado por outros. Reduz o risco sem reduzir necessariamente o retorno esperado a longo prazo. É a razão pela qual fundos e ETF de índice amplo são populares: trazem diversificação num só produto.
- Perfil de risco
- O perfil de risco mede a sua capacidade e disponibilidade para suportar perdas temporárias em troca de maior retorno potencial. Os intermediários financeiros são obrigados a avaliá-lo (questionário de adequação, regras MiFID II) antes de propor produtos. Um perfil mais conservador privilegia capital garantido; um mais arrojado aceita volatilidade.
- Volatilidade
- Volatilidade é a medida de quanto o preço de um investimento oscila ao longo do tempo. Maior volatilidade significa subidas e descidas mais bruscas — mais risco a curto prazo, mas não necessariamente perda a longo prazo. Ativos voláteis exigem horizonte temporal longo para diluir os altos e baixos.
- Fundo de Garantia de Depósitos (FGD)
- O Fundo de Garantia de Depósitos reembolsa os depositantes até 100.000 € por titular e por banco caso a instituição falhe. Cobre contas à ordem, depósitos a prazo e poupança em bancos autorizados. Não cobre investimentos como ações, fundos ou obrigações — esses estão sujeitos ao risco de mercado.
- Domiciliação de fundo / ETF (UCITS)
- A domiciliação é o país onde um fundo ou ETF está sediado — frequentemente a Irlanda ou o Luxemburgo, no caso dos fundos UCITS (OICVM em português). Afeta a tributação dos dividendos na origem e a eficiência fiscal para investidores portugueses. Dois ETF sobre o mesmo índice podem ter rendimento líquido diferente consoante a domiciliação.
- Criptoativo
- Um criptoativo (como a Bitcoin) é um ativo digital sem garantia de capital e não regulado da mesma forma que os depósitos ou os fundos. A Mowei não compara criptoativos por estarem fora do âmbito dos produtos regulados. Em Portugal, as mais-valias de criptoativos detidos menos de 365 dias são tributadas a 28% — confirme o enquadramento na AT.
- Rebalanceamento
- Rebalancear é repor a proporção definida entre os ativos de uma carteira (por exemplo, 70% ações / 30% obrigações) depois de o mercado a ter desviado. Implica vender o que subiu e reforçar o que ficou para trás, mantendo o risco controlado. Fazê-lo uma a duas vezes por ano é suficiente — rebalancear de mais aumenta custos e impostos.
- Ordem a mercado vs. limitada
- Uma ordem a mercado executa de imediato ao melhor preço disponível, garantindo a execução mas não o preço. Uma ordem limitada só executa a um preço que defina ou melhor, garantindo o preço mas não a execução. Para ativos líquidos as duas dão resultados próximos; em ativos pouco transacionados, a ordem limitada protege-o de preços maus.
- Alavancagem e CFD
- A alavancagem permite controlar uma posição maior do que o capital investido, multiplicando ganhos mas também perdas — que podem exceder o montante aplicado. Os CFD (contratos por diferença) são produtos alavancados de alto risco; a maioria dos investidores de retalho perde dinheiro neles. A Mowei não os promove: são instrumentos especulativos, não poupança.
- Robo-advisor (gestão automatizada)
- Um robo-advisor é um serviço que constrói e gere automaticamente uma carteira diversificada de ETF de acordo com o seu perfil de risco e objetivos, com comissões mais baixas do que a gestão tradicional. Trata do rebalanceamento por si. É uma opção prática para quem quer investir de forma passiva sem escolher produtos individualmente.
- Rendibilidade vs. risco
- A rendibilidade é o retorno que um investimento gera; o risco é a incerteza desse retorno, incluindo a possibilidade de perda. Segundo a CMVM, rendibilidades esperadas mais elevadas estão associadas a níveis de risco mais elevados, e promessas que combinam rendimento elevado com ausência de risco constam dos sinais de alerta de fraude publicados pelo regulador. Rendibilidades passadas não garantem rendibilidades futuras.
- Benchmark (índice de referência)
- Um benchmark é o índice de referência usado para avaliar o desempenho de um fundo ou carteira — por exemplo, o MSCI World para ações globais. Comparar o retorno de um fundo com o seu benchmark mostra se a gestão acrescentou ou destruiu valor face a simplesmente seguir o mercado. A maioria dos fundos ativos não bate o seu benchmark a longo prazo.
- Horizonte temporal
- O horizonte temporal é o tempo durante o qual planeia manter um investimento antes de precisar do dinheiro. É o fator que mais condiciona o risco que pode assumir: para objetivos a 15-20 anos, a volatilidade das ações dilui-se; para objetivos a 1-2 anos, convém capital garantido. Investir dinheiro de curto prazo em ativos voláteis é um erro comum.
- Obrigações e Bilhetes do Tesouro
- As Obrigações do Tesouro (OT) são dívida do Estado português de médio e longo prazo, e os Bilhetes do Tesouro (BT) são de curto prazo (até um ano). Diferem dos Certificados de Aforro: transacionam-se em mercado, o preço oscila e compram-se através de um intermediário financeiro. São referência de baixo risco, embora não tenham capital garantido como os depósitos.
- Drawdown
- O drawdown é a queda de um investimento desde o seu valor máximo até ao mínimo seguinte, medida em percentagem. Mostra a perda temporária que teria de aguentar sem vender em pânico. Carteiras de ações já sofreram drawdowns de 40-50% em crises e recuperaram — conhecer este número ajuda a escolher um risco que consiga suportar emocionalmente.
- Spread (compra-venda)
- No investimento, o spread é a diferença entre o preço a que pode comprar e o preço a que pode vender um ativo no mesmo momento. É um custo implícito: quanto mais líquido o ativo, menor o spread. Em ativos pouco transacionados ou exóticos o spread pode ser largo e corroer o retorno — não confundir com o spread do crédito habitação.
- Património líquido
- O património líquido é o que tem menos o que deve: a soma de todos os ativos (casa, poupanças, investimentos, carro) menos todas as dívidas (créditos, cartões). É o indicador mais honesto da saúde financeira — mais do que o salário. Acompanhá-lo ao longo do tempo mostra se está realmente a construir riqueza ou apenas a aumentar o consumo e a dívida.
- Taxa de poupança
- A taxa de poupança é a percentagem do rendimento que consegue guardar em vez de gastar. É o fator que mais determina a rapidez com que constrói património — mais do que a rendibilidade dos investimentos, sobretudo no início. Aumentar a taxa de poupança tem duplo efeito: poupa mais e habitua-se a viver com menos, reduzindo o capital de que precisará no futuro.
- Cupão e valor nominal (obrigações)
- O valor nominal de uma obrigação é o montante que o emitente devolve no vencimento; o cupão é o juro periódico que paga, expresso em percentagem do nominal. Uma obrigação com nominal de 1.000 € e cupão de 4% paga 40 € por ano. No mercado, o preço da obrigação sobe e desce com as taxas de juro, podendo negociar acima ou abaixo do nominal.
- Rating de crédito
- O rating é a notação que agências independentes (Moody’s, S&P, Fitch) atribuem à capacidade de um Estado ou empresa pagar a sua dívida, numa escala que vai de AAA (mais segura) até níveis especulativos ("lixo") e ao incumprimento. Quanto pior o rating, maior o juro exigido para compensar o risco. É uma referência útil, mas não substitui a sua própria análise nem é infalível.
- DFI / KID (documento informativo)
- O Documento de Informações Fundamentais (DFI, ou KID/KIID em inglês) é uma ficha curta e padronizada, obrigatória para fundos, ETF e produtos de investimento de retalho, que resume objetivos, risco (numa escala de 1 a 7), custos e cenários de rendimento. Foi criado para permitir comparar produtos lado a lado. Lê-lo antes de investir é a forma mais rápida de perceber custos e risco.
- Alocação de ativos
- A alocação de ativos é a forma como reparte a carteira pelas grandes classes — ações, obrigações, liquidez, imobiliário. É a decisão que mais determina o risco e o retorno a longo prazo, mais do que a escolha de produtos individuais. Uma regra simples ajusta o peso das ações ao horizonte e ao perfil: mais ações para prazos longos, mais obrigações e liquidez à medida que o objetivo se aproxima.
- Risco cambial e cobertura (hedge)
- O risco cambial é a possibilidade de perder (ou ganhar) por variações da taxa de câmbio quando investe em ativos noutra moeda, como ações dos EUA em dólares. Alguns fundos e ETF oferecem versões com cobertura cambial (hedged), que neutralizam esse efeito a um custo. Para horizontes longos e carteiras diversificadas, muitos investidores aceitam o risco cambial em vez de pagar pela cobertura.
- Mercado primário vs. secundário
- No mercado primário, os títulos são emitidos pela primeira vez e o dinheiro vai para o emitente — é o caso de uma oferta pública inicial (IPO) ou de uma emissão de dívida do Estado. No mercado secundário, os investidores compram e vendem entre si títulos já existentes (a bolsa), sem novo dinheiro para o emitente. A maioria das operações de retalho acontece no secundário.
- Yield (rendimento)
- A yield é o rendimento anual de um investimento expresso em percentagem do seu preço — por exemplo, o dividend yield de uma ação (dividendos a dividir pelo preço) ou a yield de uma obrigação. Permite comparar o rendimento gerado por ativos diferentes. Atenção: uma yield muito alta pode sinalizar risco elevado, não uma boa oportunidade.
- Análise fundamental vs. técnica
- A análise fundamental avalia o valor de um ativo pelos seus dados (lucros, dívida, perspetivas do negócio); a análise técnica tenta antecipar preços a partir de gráficos e padrões de negociação. A primeira orienta o investimento de longo prazo; a segunda é usada sobretudo em especulação de curto prazo. Para o investidor de retalho que poupa a longo prazo, a fundamental (ou simplesmente indexar) costuma ser mais adequada.
- Stop loss e take profit
- Uma ordem stop loss vende automaticamente um ativo se o preço cair até um limite, para travar perdas; uma ordem take profit vende ao atingir um lucro-alvo. São ferramentas de gestão de risco úteis em negociação ativa. Para quem investe a longo prazo e de forma diversificada, vender por causa de quedas temporárias costuma prejudicar o retorno — o stop loss não substitui um bom plano.
- ISIN
- O ISIN (International Securities Identification Number) é o código internacional de 12 caracteres que identifica de forma única cada ação, obrigação, fundo ou ETF. Procurar pelo ISIN garante que está a comprar exatamente o produto certo — é frequente existirem várias versões do mesmo ETF (acumulação/distribuição, moedas, domiciliações) com nomes parecidos mas ISIN diferente.
- PSI / Euronext Lisboa
- O PSI é o principal índice da bolsa portuguesa, reunindo as maiores cotadas nacionais; a Euronext Lisboa é o mercado onde essas ações são transacionadas, integrado no grupo paneuropeu Euronext. O PSI serve de termómetro do mercado nacional, mas é pouco diversificado — por isso a maioria dos investidores de longo prazo prefere índices globais.
- SIGI / REIT (imobiliário cotado)
- Uma SIGI (Sociedade de Investimento e Gestão Imobiliária), equivalente português do REIT, é uma empresa cotada que detém imóveis para arrendamento e distribui a maior parte das rendas como dividendos. Permite investir em imobiliário com pouco capital e liquidez de bolsa, sem comprar uma casa. O valor oscila com o mercado de ações e com o imobiliário.
- Crowdfunding e crowdlending
- O crowdfunding é o financiamento coletivo de projetos por muitas pessoas; no crowdlending (a sua variante de empréstimo), empresta dinheiro a empresas ou projetos esperando juros. Pode oferecer retornos altos, mas com risco elevado de incumprimento e baixa liquidez, e nem sempre tem a proteção dos produtos regulados. Invista apenas valores que pode perder e através de plataformas autorizadas.
- Capitalização bolsista
- A capitalização bolsista (market cap) é o valor total de mercado de uma empresa: o preço da ação multiplicado pelo número de ações. Classifica as empresas em large, mid e small cap. As large caps tendem a ser mais estáveis; as small caps, mais voláteis mas com maior potencial. Os índices ponderam normalmente as empresas pela sua capitalização.
- PER (rácio preço/lucro)
- O PER (price-to-earnings) divide o preço de uma ação pelo lucro por ação, indicando quantos anos de lucros atuais "paga" ao comprá-la. Um PER alto sugere expectativas de crescimento (ou sobrevalorização); um PER baixo, uma empresa barata (ou em dificuldades). É um indicador útil para comparar empresas do mesmo setor, mas não deve ser usado isoladamente.
- Value vs. growth
- O investimento em value procura empresas subavaliadas face aos seus fundamentais (lucros, ativos), apostando na correção do preço; o growth aposta em empresas com forte crescimento esperado, aceitando rácios mais altos. São dois estilos que alternam em desempenho ao longo dos ciclos. Um índice global amplo já contém ambos, dispensando a escolha para quem investe de forma passiva.
- Ouro e matérias-primas (commodities)
- As matérias-primas (ouro, petróleo, cereais) são ativos cujo preço depende da oferta e da procura globais. O ouro é visto como refúgio em crises e cobertura contra a inflação, mas não gera juros nem dividendos — o retorno vem só da variação do preço. Costuma ter um papel pequeno e diversificador numa carteira, não o de motor principal de rendimento.
- Tracking error
- O tracking error mede o quanto um fundo indexado ou ETF se desvia do índice que pretende replicar. Um tracking error baixo significa que o fundo segue fielmente o índice; um valor alto indica desvios (por custos, método de replicação ou liquidez). Ao escolher entre ETF sobre o mesmo índice, um bom historial de tracking error, a par de um TER baixo, é sinal de qualidade.
- Conta margem e margin call
- Uma conta margem permite investir com dinheiro emprestado pela corretora, usando os ativos como garantia. Se o valor da carteira cair abaixo de um limite, ocorre um margin call: a corretora exige reforço de fundos ou vende posições, podendo cristalizar perdas no pior momento. É uma forma de alavancagem de risco elevado, desaconselhada a quem investe a longo prazo.
- Mercado de balcão (OTC)
- O mercado de balcão, ou OTC (over-the-counter), é a negociação de instrumentos diretamente entre duas partes, fora de uma bolsa organizada. Permite produtos à medida, mas tem menos transparência de preços e maior risco de contraparte. Muitos produtos complexos vendidos ao retalho são OTC — exija sempre o documento de informações fundamentais e perceba quem é a contraparte.
- Regra 50/30/20
- A regra 50/30/20 é uma referência simples de orçamento: cerca de 50% do rendimento líquido para necessidades (casa, contas, alimentação), 30% para estilo de vida e lazer, e pelo menos 20% para poupança e amortização de dívida. Variantes como 55/25/20 ou 70/20/10 ajustam-na à realidade de cada um. Serve de ponto de partida, não de regra rígida.
- Fluxo de caixa pessoal
- O fluxo de caixa pessoal é a diferença entre o dinheiro que entra (salário, rendas, juros) e o que sai (despesas, prestações) ao longo de um período. Um fluxo positivo permite poupar e investir; um negativo recorrente leva ao endividamento. Acompanhá-lo, e não apenas o saldo da conta, é o que mostra se as suas finanças estão realmente a melhorar.
- Dívida boa vs. dívida de consumo
- Chama-se "dívida boa" à que financia um ativo que tende a valorizar ou a gerar rendimento (crédito habitação, formação), normalmente com juros baixos; "dívida de consumo" é a contraída para gastos que perdem valor (cartões, crédito rápido, eletrónica), com juros altos. Eliminar a dívida de consumo cara é prioritário — render mais do que esses juros num investimento é quase impossível.
- Valores mobiliários
- Valores mobiliários são os instrumentos financeiros negociáveis representativos de investimento — ações, obrigações, unidades de participação de fundos. São o universo regulado pela CMVM e tributados sobretudo na categoria G (mais-valias) e E (juros e dividendos). Distinguem-se de produtos como depósitos (bancários) ou criptoativos (com enquadramento próprio).
- Venda a descoberto (short)
- Vender a descoberto (short selling) é vender um ativo que não se possui, pedindo-o emprestado, para o recomprar mais barato e lucrar com a queda do preço. Se o preço subir, a perda é teoricamente ilimitada. É uma estratégia avançada e arriscada, própria de profissionais — não tem lugar numa carteira de poupança de longo prazo.
- Sistema de Indemnização aos Investidores (SII)
- O SII reembolsa os investidores até 25.000 € por titular caso uma corretora ou intermediário financeiro falhe e não consiga devolver o dinheiro ou os títulos que lhe estavam confiados. Cobre fraude ou má gestão da instituição, não perdas de mercado. É o equivalente, para investimentos, do Fundo de Garantia de Depósitos (que cobre depósitos até 100.000 €).
- MiFID II
- A MiFID II é a diretiva europeia que protege os investidores de retalho: obriga os intermediários a avaliar a adequação dos produtos ao perfil do cliente, a divulgar custos de forma transparente e a tratar as ordens no melhor interesse do investidor. É a razão pela qual responde a um questionário antes de investir e recebe o documento de informações fundamentais.
- Taxa de câmbio e spread cambial
- Quando compra um ativo noutra moeda, a corretora converte euros à taxa de câmbio, cobrando muitas vezes um spread cambial (uma margem) ou uma comissão de conversão. Em compras frequentes, esse custo acumula. Algumas plataformas oferecem contas multimoeda para evitar conversões repetidas — um fator a pesar para quem investe regularmente em ativos em dólares.
- Transferência de títulos entre corretoras
- É possível transferir ações, ETF e outros títulos de uma corretora para outra sem os vender (evitando concretizar mais-valias e impostos), num processo conhecido nos EUA por ACATS. Pode demorar semanas e ter custos de saída na corretora de origem. É a alternativa a vender e recomprar — preferível quando mudar de plataforma sem querer despoletar tributação.
- Formulário W-8BEN
- O W-8BEN é um formulário norte-americano que o investidor estrangeiro preenche junto da corretora para declarar a sua residência fiscal e beneficiar da convenção de dupla tributação. Reduz a retenção na fonte sobre dividendos de ações dos EUA (tipicamente de 30% para 15%). Costuma renovar-se periodicamente — mantê-lo válido evita pagar imposto americano a mais.
- Mercado em alta e em baixa (bull/bear)
- Um mercado em alta (bull market, "touro") é um período prolongado de subida generalizada dos preços; um mercado em baixa (bear market, "urso") é uma queda prolongada, em regra de 20% ou mais face ao máximo. Estes ciclos alternam e fazem parte do investimento. Quem investe a longo prazo atravessa vários de cada — vender em pânico no urso é o erro mais caro.
- Rally
- Um rally é uma valorização rápida e acentuada dos preços num curto espaço de tempo. Pode ocorrer mesmo dentro de uma tendência de queda (o chamado bear market rally), iludindo quem pensa que a recuperação chegou. Tentar adivinhar rallies para entrar e sair é difícil até para profissionais — para o investidor de longo prazo, manter-se investido costuma ser melhor.
- Crash e sell-off
- Um sell-off é uma forte pressão de venda que faz cair os preços; um crash é uma queda muito acentuada e rápida, frequentemente movida por pânico. São eventos normais ao longo da vida de um investidor. Historicamente, os mercados amplos recuperaram destes episódios — manter o rumo e, se possível, continuar a investir tende a compensar mais do que fugir.
- Correção de mercado
- Uma correção é uma queda de cerca de 10% (até menos de 20%) face a um máximo recente, menos severa do que um mercado em baixa. São frequentes e, em regra, de curta duração. Servem por vezes de oportunidade para quem investe de forma regular, comprando a preços mais baixos. Reagir a cada correção vendendo costuma prejudicar o retorno de longo prazo.
- Sobrecomprado e sobrevendido
- Diz-se que um ativo está sobrecomprado (overbought) quando subiu depressa e pode estar acima do seu valor razoável, e sobrevendido (oversold) quando caiu depressa e pode estar abaixo. São noções da análise técnica, baseadas em indicadores de momento, não garantias de inversão. Úteis para quem negoceia a curto prazo, têm pouco peso numa estratégia de longo prazo.
- Quantitative easing e tightening (QE/QT)
- O quantitative easing (QE) é a compra de ativos pelos bancos centrais para injetar dinheiro na economia e baixar as taxas; o quantitative tightening (QT) é o inverso, retirando liquidez. Influenciam as taxas de juro, o crédito e os preços dos ativos. Entender estes movimentos ajuda a perceber por que sobem ou descem a Euribor e as bolsas em ciclos de política monetária.
- Hawkish e dovish
- No discurso dos bancos centrais, hawkish ("falcão") descreve uma postura focada em combater a inflação, propensa a subir as taxas de juro; dovish ("pomba") descreve a preocupação com o crescimento, propensa a baixá-las. Estas sinalizações movem os mercados e antecipam a direção da Euribor — relevantes para quem tem crédito de taxa variável ou poupança.
- Blue chip
- Blue chip é a designação informal de ações de grandes empresas consolidadas, com negócios estáveis, longo historial e, muitas vezes, dividendos regulares. Tendem a ser menos voláteis do que empresas pequenas, embora não isentas de risco. São frequentes em carteiras conservadoras, mas concentrar tudo em poucas blue chips não substitui a diversificação de um índice amplo.
- FOMO (medo de ficar de fora)
- FOMO (Fear Of Missing Out) é o impulso de comprar um ativo porque está a subir e toda a gente fala dele, com medo de perder a oportunidade. Leva muitas vezes a comprar no topo, mesmo antes de uma queda. É um dos principais inimigos do investidor: um plano definido e o investimento regular protegem das decisões movidas por emoção e por modas.
- Finança comportamental
- A finança comportamental estuda como as emoções e os enviesamentos psicológicos — aversão à perda, excesso de confiança, efeito manada, FOMO — afastam as decisões financeiras da racionalidade. Conhecer estes padrões ajuda a evitá-los: automatizar a poupança, definir regras e não olhar para a carteira todos os dias são formas de neutralizar o próprio cérebro.
- Rendimento fixo vs. variável
- Os produtos de rendimento fixo (depósitos, obrigações, certificados) pagam juros conhecidos ou previsíveis e tendem a ser mais estáveis; os de rendimento variável (ações, fundos de ações) têm retorno incerto, maior potencial e maior risco. Uma carteira equilibrada combina os dois conforme o horizonte e o perfil — mais rendimento fixo à medida que o objetivo se aproxima.
- Maturidade (vencimento)
- A maturidade, ou vencimento, é a data em que um produto de dívida (obrigação, depósito a prazo, certificado) termina e o capital é devolvido. Prazos mais longos costumam pagar mais, mas prendem o dinheiro durante mais tempo e são mais sensíveis a variações das taxas de juro. Alinhar a maturidade com a data em que vai precisar do dinheiro evita resgates antecipados penalizadores.
- Futuros e opções (derivados)
- Futuros e opções são derivados — contratos cujo valor deriva de um ativo subjacente (índice, ação, matéria-prima). Um futuro obriga a comprar/vender numa data e preço; uma opção dá o direito, mas não a obrigação. Permitem alavancagem e cobertura, mas têm risco elevado e complexidade. São instrumentos para investidores experientes, não para poupança de longo prazo.
- OPA (Oferta Pública de Aquisição)
- Uma OPA é uma oferta dirigida aos acionistas de uma empresa cotada para lhes comprar as ações, normalmente a prémio sobre a cotação, visando tomar o controlo. Se o oferente ultrapassar um limite elevado de participação, pode haver aquisição potestativa (compra forçada das ações restantes). Os acionistas decidem se aceitam — vale a pena perceber o preço e as alternativas antes de vender.
- Obrigação sénior vs. subordinada
- Numa insolvência, as obrigações sénior são pagas antes das subordinadas. As subordinadas pagam juros mais altos para compensar o maior risco de não recuperar o capital — foi o que aconteceu a muitos pequenos investidores em dívida subordinada de bancos. Antes de comprar uma obrigação por causa do juro, confirme a sua senioridade e quem é o emitente.
- Fundos abertos e fechados
- Um fundo aberto emite e resgata unidades de participação a pedido dos investidores, ao valor patrimonial do dia — é o tipo mais comum e líquido. Um fundo fechado tem um número fixo de unidades, transacionadas entre investidores, podendo negociar acima ou abaixo do valor dos ativos. Para a maioria dos aforradores, os fundos abertos (e os ETF) são mais simples e líquidos.
- Obrigação de cupão zero
- Uma obrigação de cupão zero não paga juros periódicos: é vendida com desconto face ao valor nominal e o rendimento vem da diferença até ao reembolso no vencimento. É simples de perceber, mas todo o retorno fica preso ao prazo e é sensível às taxas de juro. Os Bilhetes do Tesouro funcionam de forma semelhante, sem cupão.
- Ativo subjacente
- O ativo subjacente é o bem ou índice de que depende o valor de um produto financeiro derivado — por exemplo, a ação, o índice, a matéria-prima ou a moeda sobre a qual assenta um CFD, um futuro ou uma opção. O preço do derivado sobe e desce em função do subjacente. Perceber qual é o subjacente é o primeiro passo para avaliar o risco.
- Fundo de pensões
- Um fundo de pensões é um património autónomo que aplica contribuições para financiar reformas ou complementos de pensão, gerido por uma entidade especializada e supervisionado pela ASF. Pode ser aberto (adesão individual) ou fechado (associado a uma empresa). Distingue-se do PPR, embora ambos sirvam para poupar a pensar na reforma.
- Taxa de juro real
- A taxa de juro real é o rendimento de uma poupança ou investimento depois de descontada a inflação. Se um depósito rende 3% e a inflação é 2%, a taxa real é de apenas 1% — é esse valor que mede o ganho efetivo de poder de compra. Uma taxa real negativa significa que o dinheiro está a perder valor mesmo a render juros.
- SFDR
- O SFDR (Sustainable Finance Disclosure Regulation) é o regulamento europeu que obriga as gestoras de fundos a classificar e divulgar as características de sustentabilidade dos seus produtos, distinguindo fundos "artigo 8" (promovem características ambientais ou sociais) de "artigo 9" (têm o investimento sustentável como objetivo). Em junho de 2026, a Comissão Europeia avançou com uma reforma do SFDR para travar rótulos "verdes" enganosos. Ver o artigo SFDR de um fundo não garante, por si só, que o investimento é efetivamente sustentável.
- Greenwashing
- Greenwashing é a prática de apresentar um produto financeiro como mais sustentável ou "verde" do que realmente é, para atrair investidores sensíveis a critérios ambientais. A CMVM já reconheceu este como um risco "real e crescente" no mercado português, e um inquérito da DECO Proteste encontrou que 14% dos investidores já receberam um produto vendido como sustentável que afinal não o era. Antes de pagar mais por um rótulo "verde", confirme a classificação SFDR do fundo e não apenas o marketing.
- Ancoragem
- Ancoragem é o enviesamento pelo qual o primeiro número que vê — um preço original riscado, uma oferta inicial — condiciona a forma como avalia tudo o que vem a seguir, mesmo que esse número não tenha relação real com o valor justo. Numa negociação de crédito ou de compra, quem apresenta o primeiro valor está, sem que note, a definir o ponto de referência da conversa. Antes de aceitar ou recusar uma proposta, tente avaliá-la a partir do zero, comparando com outras alternativas independentes.
- Custo afundado
- Custo afundado é dinheiro ou tempo já gasto que não pode ser recuperado, independentemente da decisão que tomar agora — e que, por isso, não devia pesar nessa decisão. É um erro comum continuar a pagar um crédito caro ou a manter um investimento mau só porque "já se investiu tanto nisto", quando a pergunta certa é se a escolha ainda faz sentido a partir de hoje. Reconhecer o custo afundado ajuda a cortar perdas mais cedo, em vez de as agravar por orgulho ou hábito.
- Efeito de dotação
- O efeito de dotação é a tendência para valorizar mais aquilo que já se tem apenas por já se ter — por exemplo, sentir que o seu banco ou seguradora atual é melhor do que realmente é, só porque já é seu há anos. Este enviesamento é uma das principais razões pelas quais tantas pessoas continuam com contas ou apólices mais caras do que as alternativas do mercado. Comparar periodicamente, como se estivesse a escolher pela primeira vez, neutraliza este efeito.
- Contabilidade mental
- A contabilidade mental é a tendência para tratar o dinheiro de forma diferente consoante a "caixa" mental de onde veio, mesmo sendo tudo o mesmo euro — por exemplo, gastar um reembolso de IRS com mais leviandade do que o salário, como se fosse um presente e não dinheiro que já era seu. Esse enquadramento leva a decisões menos racionais: o reembolso é, na prática, salário que foi retido a mais e devolvido, não um bónus. Tratar todo o dinheiro com o mesmo critério, seja qual for a sua origem, evita esse desperdício silencioso.